quinta-feira, outubro 15, 2026
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Festuris Gramado terá Saquê Bar com um dos 108 Sake Samurai do mundo

Japão estreia no Festuris com experiência dedicada à bebida milenar; brasileiro Fabio Ota estará à frente da imersão e explica como escolher, servir e harmonizar um bom saquê 

Uma taça de saquê pode contar muito sobre o Japão. O arroz, a água, o clima, as técnicas de fermentação e até as características de cada região produtora ajudam a criar diferentes estilos de uma bebida que atravessou fronteiras e hoje está presente em restaurantes e bares de diferentes partes do mundo.

Em novembro, um pouco desse universo chegará a Gramado (RS). Pela primeira vez em 38 edições, o Japão participará do Festuris – Feira Internacional de Turismo de Gramado, em uma experiência que pretende aproximar os visitantes não apenas do destino, mas também de sua cultura e gastronomia. O país estará no Espaço Luxury, onde terá um ambiente próprio e, entre as atrações, um Saquê Bar.

Quem ajudará a conduzir essa viagem pela bebida será o Sake Samurai brasileiro Fabio Kenji Ota, fundador da Mega Sake e um dos principais especialistas no assunto no Brasil. Neto de japoneses, Ota conheceu o Japão com 13 anos e já retornou ao país cerca de 30 vezes. Em 2023, recebeu em Kyoto o título de Sake Samurai, distinção concedida a pessoas que contribuem para difundir a cultura do saquê no mundo.

A relação entre os brasileiros e a bebida, no entanto, começou muitas décadas antes. O saquê chegou ao país junto com a cultura trazida pela imigração japonesa, iniciada oficialmente em 1908. Na década de 1930 foi criada em Campinas, no interior de São Paulo, a empresa que daria origem à primeira produção comercial de saquê no Brasil. 

Quase um século depois, o cenário mudou. O saquê deixou de ocupar apenas as mesas de restaurantes japoneses e passou a aparecer em cartas de bebidas, menus de harmonização e casas de alta gastronomia. A empresa fundada por Ota atende hoje mais de 500 bares e restaurantes.

Essa conexão entre destino, cultura e gastronomia também está por trás da estreia japonesa no Festuris. Para a CEO da Rossi & Zorzanello e idealizadora do Festuris, Marta Rossi, o viajante de alto padrão vem buscando experiências cada vez mais autênticas e conectadas à cultura local.

“Existe uma mudança na forma como o viajante de alto padrão escolhe seus destinos. Hoje ele busca acesso à cultura, à gastronomia e a experiências que dificilmente poderiam ser reproduzidas em outro lugar. A estreia do Japão no Festuris traduz muito desse movimento: é um destino que reúne tradição e uma identidade muito própria, e queremos aproximar o nosso público desse universo”, afirma a CEO. 

Em Gramado, a proposta é que o Japão comece a ser descoberto justamente por uma dessas experiências: uma bebida profundamente ligada à história, aos hábitos e à cultura do país.

O 38º Festuris será realizado de 12 a 15 de novembro de 2026, no Serra Park, em Gramado. Considerado um dos principais encontros de negócios turísticos das Américas, o evento reúne destinos, marcas, profissionais e experiências ligadas ao turismo nacional e internacional. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo site oficial: festurisgramado.com

Mas, afinal, como escolher um bom saquê? A bebida deve ser tomada quente ou gelada? E por que ela combina com muito mais do que a gastronomia japonesa? Fabio Ota responde essas e outras curiosidades e conta o que o público poderá encontrar na experiência que será apresentada em Gramado. 

1 – Para quem ainda conhece pouco o saquê, o que é importante saber sobre a bebida? 

Primeiro, não deve se preocupar se ainda não conhece muito. O aprendizado é um caminho, da mesma forma como aprendemos a tomar vinho. Aliás, a melhor forma de beber e aproveitar saquês de qualidade é usar taça de vinho, que todo restaurante ou consumidor já tem. O saquê é a bebida alcoólica que tem a maior quantidade de umami. Ele é o quinto gosto, ainda pouco conhecido no Ocidente. Conhecemos bem o doce, o salgado, o azedo e o amargo, mas o umami, que é esse gosto que motiva as pessoas a comerem e beberem mais, ainda é um mistério por aqui. 

Por possuir muito umami, quatro vezes mais do que o vinho ou a cerveja, o saquê é a bebida que mais combina com comida – qualquer tipo, não só a japonesa. Saquê vai bem com pizza, com churrasco, queijo, com tudo.

Outra coisa que pouca gente sabe é que a bebida deve ser guardada na geladeira e, infelizmente, são poucos os importadores que trazem os saquês refrigerados do Japão. Especialmente pela distância e pelo tempo que demora, na Mega Sake utilizamos containers a -5°C e depósito refrigerado, o que mantém a qualidade da bebida. 

2 – Como escolher um bom saquê e quais harmonizações com a gastronomia você considera mais interessantes?

Em primeiro lugar é preciso se atentar para a logística. Como o saquê é uma bebida que deve ser mantida refrigerada, comprar da estante à temperatura ambiente já não é bom. Mas também não significa que, só por estar em geladeira, o saquê foi importado refrigerado. Caso não tenha sido, o dano já está feito. Não que ele estrague completamente, mas os aromas e o sabor são afetados, e a percepção de álcool aumenta na boca e no nariz.

Aliás, os saquês que mais sofrem com falta de refrigeração são os mais caros, que têm o arroz mais polido e, portanto, necessitam de muito mais matéria-prima para se produzir o conteúdo de uma garrafa. Além de o maior polimento já não significar melhor qualidade, também são mais frágeis.

Em 2025, abri, em São Paulo, o restaurante Miyabi, que já vem sendo reconhecido por diversos prêmios e é uma casa de culinária kaiseki (a alta gastronomia sazonal do Japão) com harmonização de saquês. 

No Japão e no Miyabi cada prato é testado com diversos saquês, a diversas temperaturas e, muitas vezes, com taças, copos diferentes e infusões. Então, reluto muito em divulgar uma harmonização que sempre dê certo. Já tivemos que trocar o saquê escolhido porque a origem do atum ou da vieira, naquela semana, foi diferente – uma vieira canadense não tem o mesmo sabor e consistência da vieira japonesa, por exemplo.

Mas posso dizer que alguns saquês ficam incríveis com queijos brasileiros (claro que, com alguns deles, já que a variedade é enorme). E, como dica, a melhor harmonização do saquê ocorre dentro da boca, ou seja, não é só comer, engolir e depois beber. Nós sempre recomendamos que coloquemos um pouco de comida e um pouco de saquê ao mesmo tempo na boca. Isso sim é uma harmonização de fato.

3 – Do que o saquê é feito? Qual o seu teor alcoólico e temperatura ideal para tomar? 

O saquê é um fermentado, como o vinho, embora seu processo de produção seja bem mais complexo – considerando que o arroz, de que ele é feito, não possui açúcar como a uva. Então você primeiro tem que cozinhar o arroz e fazer com que o amido contido no grão vire açúcar, para que possa produzir álcool. 

Muita gente acaba achando que o saquê é uma bebida destilada ou com um grau alcoólico alto, talvez por o terem experimentado pela primeira vez numa caipirinha. E a caipirinha, tradicionalmente feita de cachaça, também tem variações com vodca ou saquê. Desses três, o único que é fermentado é o saquê, mas pode ficar a impressão para o público de que ele é um destilado ou tem um grau alcoólico alto como a cachaça ou a vodca. A verdade é que o saquê tem um grau alcoólico entre 13% e 16%, ou seja, muito parecido com o vinho, embora também existam saquês com grau alcoólico abaixo de 10%. 

O saquê é, provavelmente, a bebida mais versátil do mundo, já que pode ser tomado a, literalmente, qualquer temperatura, inclusive super quente, a cerca de 60°C. No Japão há bares que só servem saquê quente, embora esse não seja um costume tão difundido em países mais quentes. 

Gosto muito de tomar saquê em temperatura de vinho branco leve, a cerca de 10°C. Se o saquê tiver sido importado e mantido refrigerado, ele vai manter seus aromas e, então, será melhor apreciado numa taça de vinho.

4- O Japão estará pela primeira vez no Espaço Luxury do Festuris. O que o público pode esperar da sua participação e da experiência que será apresentada em Gramado? 

Eu tenho viajado de três a quatro vezes ao ano para o Japão nos últimos dez anos e sempre apostei que todo o mundo iria querer visitar o país com frequência. Afinal, quem não quer conhecer um país com uma cultura e atrações fantásticas, gastronomia e hospitalidade incríveis e que ao mesmo tempo é super seguro, amigável e, mais recentemente, acessível? Mas, tendo conhecido alguns dos melhores hotéis do Japão, de férias com a família, posso dizer também que o turismo de luxo por lá é ainda mais surpreendente, menos expansivo e espalhafatoso do que em outros mercados, mas extremamente elegante, detalhista e com um nível cultural e de serviço inigualável. 

Então, o que o turista brasileiro está descobrindo – e se apaixonando – no Japão hoje é apenas uma pequena amostra do que o mercado de turismo por lá pode oferecer, com o destaque da hospitalidade e da gastronomia de alto luxo. 

Ou seja, nossa participação no Espaço Luxury é resultado dessa percepção do público, e tem por objetivo mostrar que estamos somente começando. E basta ver que quem já foi uma vez para o Japão geralmente já está planejando a próxima viagem para lá. E quem já bebeu saquê japonês sempre deixa um espaço na adega ou na geladeira para algumas garrafas desta bebida maravilhosa.

A ideia é apresentar o quão rico é o universo do saquê e quanto ele pode ser um dos muitos aspectos de uma viagem fantástica ao Japão.

5 – O que significa o título de Sake Samurai?

É o título mais importante dado pelos produtores de saquê do Japão às pessoas que trabalham para divulgar a bebida e a cultura japonesa no mundo. É um título reconhecido pelo governo japonês e, atualmente, são 108 Sake Samurais em todo o mundo, entre japoneses e estrangeiros.

Mais do que um reconhecimento pelo trabalho já feito, é um compromisso para continuar e ampliar a divulgação dessa bebida milenar e da cultura japonesa nos mercados em que atuam.

Texto: Renata de Mattos | fernando@festurisgramado.com.br

Crédito da Foto: Keiny Andrade/Divulgação

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